LEITURA DE POESIAS NA WEB RÁDIO – UNEB, CAMPUS XIV, PELOS ALUNOS E ALUNAS DO 6º ANO (D)



A atividade em questão, desenvolvida pela dupla Edna Nascimento e Yuri Martins, graduandos do Curso de Letras, consiste em uma leitura de duas poesias na Web Rádio, espaço vinculado ao Departamento de Educação do Campus XIV, como intermédio das atividades de comunicação do campus. O foco da atividade foi recitar a poesia Negros: Do colonial ao atual, de Nailton Sousa Saraiva, e outra, sem título, de Felipe Marinho, do grupo Slam Resistência, em uma leitura mais leve e descontraída. Pudemos experimentar outras perspectivas de vincular a poesia a uma discussão importante, comoà do dia 20 de novembro, propiciada em evidenciar o dia da Consciência Negra, que não apenas deve ser lembrada nesse dia, mas por toda uma vida.
Dispusemos-nos a produzir a atividade com intuito de oportunizar aos nossos alunos da Escola Municipal João Paulo Fragoso, em Conceição do Coité/BA, a experiência de externar suas leituras em um ambiente que eles ainda não haviam tido a chance de ir. O processo de encaminhamentos para o cumprimento da atividade foi árduo, devido à disponibilização dos transportes para o deslocamento das crianças, mas por fim, tivemos êxito, finalizando nosso estágio com essa atividade e possuindo um sentimento de dever cumprido.
A atividade não teve muita dificuldade de ser produzida, pois nossa intenção era, sim, fazer com que os estudantes externassem vivências do seu cotidiano e escrevessem suas perspectivas do SER negro dentro de uma sociedade altamente racista, mas que, infelizmente, por conta de um período curto de tempo que tínhamos, acabamos nos detendo às leituras de um material já pronto, mas tão potente quanto o que nossos alunos fariam com nosso auxílio.
Entretanto, mesmo não sendo eles os criadores, ainda assim, avaliamos o material e o discutimos na intenção de evidenciar a discussão da poesia e de trabalhar técnicas de leitura para o melhor desenvolvimento do produto final. Por conseguinte, a tarefa se resumia ao grupo de alunos e alunas lerem as poesias no espaço da WEBRÁDIO, presente no Departamento de Educação - Campus XIV, com a criação de um vídeo, o qual teria suas vozes como narração.
Compreendemos que todas as atividades e todo o percurso trilhado nesse Estágio III foi uma contribuição de esforços de toda uma equipe, pois sem a mesma nada se concretizaria. Portanto, agradecemos aos técnicos da WebRádio (Sidiclei e Alexandre), à professora Pricila (Docente do Curso de Comunicação), à nossa docente Úrsula, aos nossos colegas de curso, à nossa professora Regente (Maria Geane) e principalmente aos nossos alunos, por terem nos dado a oportunidade de ter realizado isso tudo em prol deles mesmos!
Abaixo, seguem em anexo as poesias e algumas fotos tiradas no momento de discussão e de produção da narração do vídeo:
(A segunda equipe, composta apenas por alunas, pronta para o ensaio da leitura)

 


(Acompanhamento da professora Edna, apelidada carinhosamente pelos alunos de “Edinha”, no ensaio da primeira equipe)


 


(Os graduandos e estagiários, Yuri Martins e Edna Nascimento, e no meio a professora regente Maria Geane)






(Preparação dos aparelhos pelo técnico, Sidiclei)
 

(Teste de áudio pelo técnico Sidiclei)

 

(Técnicos, Sidcilei e Alexandre, prontos para auxiliar a atividade com a segunda equipe)


 
(Primeira equipe na discussão da poesia)

 
(Segunda equipe nas técnicas de leitura)

 

(Encerramento do Estágio com a turma do 6º ano – D, da Escola João Paulo Fragoso)










Negros: Do Colonial ao atual

Os negros vieram da África
No tempo da escravidão
Trabalhavam dia e noite
Na tortura e solidão
Era o maior sofrimento
Por um pedaço de pão...
Eles são discriminados
Devido a sua cor
Por terem a pele negra
São tratados sem amor
Enriqueceram o branco
Com o sangue da sua dor...
O preconceito é cruel
Provoca a divisão
A renda é concentrada
Devido à exploração
Os negros são maltratados
E querem libertação.
Assinaram um papel
Para os negros libertar
Foi a princesa Isabel
Quem procurou ajudar
Só que não deram terra
Para o negro trabalhar.
Eles viviam na senzala,
Hoje vivem na favela
O desemprego é real
A ilusão está na tela
Os negros querem urgente
Uma porta e uma janela.
A injustiça é tirana
Não se respeita a cultura
Os negros com sua arte
Expressam sua ternura
Capoeira, artesanato,
Música e literatura.
A pobreza continua
Com o analfabetismo
O negro não tem acesso
Ao poder do consumismo
O negro é uma vítima
Do ruim capitalismo.
Os negros vivem na miséria,
Falta estudo e alimento
Sem dinheiro e emprego
Amargam no sofrimento
Querem melhorar de vida
E expressar seu talento.
Para o negro melhorar
É preciso educação
Melhor divisão da renda
Mais arroz e mais feijão
Moradia e emprego
E o fim da exploração.
É hora de acabar
O racismo, o preconceito
Negro é igual a branco
Ser negro não é defeito
O negro é da natureza
E por Deus ele foi feito.


de Nailton Sousa Saraiva







Slam Resistência
Felipe Marinho - Poesia
É sobre a pele. É sobre a minha humanidade.
Eu não aceito as migalhas da liberdade.
Eu não conheço racismo reverso para quem tem acesso social,
Mas eu entendo a cota para quem sofre violência estrutural.
A carta de alforria era só para diminuir despesas,
Não se pensou em educação, saúde, recursos humanos para população negra.
E assim é hereditário,
Negro herda a fama de ladrão e os trabalhos secundários.
É só dar um rolê no fim de domingo,
Observar a cor dos que passeiam e a cor dos mendigos.
Só nós sabemos na pele a negação dos fatos históricos,
Nossa cultura chutada e a maior representatividade nos velórios.
Eu tô cansado do teu eurocentrismo, que basicamente é isso:
‘Cala boca preto que eu sei do teu racismo’,
Mas eu só vou aceitar um branco falando de racismo quando for em tom de desculpa,
Você não pode dar seu protagonismo se você não conhece a luta.
Incomoda tanto, negro no protagonismo,
Que quase eles afirmam que Mandela não tinha história quando falam de vitimismo.
Vitimismo sim! É uma questão lógica,
Claro que pedimos para sermos perseguidos pelos seguranças na loja;
Vitimismo sim. É uma questão social,
Pedimos também para sofrermos um extermínio policial;
Vitimismo sim e prática,
Pedimos também para sermos maioria da população carcerária;
Vitimismo sim, do jeito que ‘cês gosta’,
Maioria no presídio, minoria na escola;
Vitimismo sim, talvez coisa de louco,
Quando o difícil é ser negro e morrer idoso;
Vitimismo sim de gente feia,
Quando adoramos ter nossa carne regada pelo teu padrão de beleza;
Vítimas de um massacre triste;
E quem não sente na pele analisa de longe, julga e acha simples e conclui:
Que racismo no Brasil não existe.


*Obs: As duas poesias foram retiradas da internet.

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