EDUCAÇÃO: UMA TROCA DE CONHECIMENTOS



Eu sou Jocivalda Mendes de Oliveira, nasci em uma pequena cidade do interior da Bahia chamada Mairi. Sempre estudei em escola pública, cursei o magistério, concluindo o nível médio em 1996. Passei um tempo sem estudar, sendo que, em 2013, ingressei no cursinho Pré- vestibular UPT (Universidade para Todos) que me deu a oportunidade de fazer o vestibular para a UNEB. Fui aprovada no curso Letras Vernáculas. Nesse curso, a cada, dia aprendo mais como ser uma profissional. E a prática de estágio me permitirá conhecer melhor o campo que vou atuar de agora em diante.
Mesmo na época em que não estava cursando o ensino superior, não deixei de fazer leituras e contribuir um pouco com a educação, pois dava aulas de reforço escolar em minha casa, para crianças e adolescentes do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental. Aqui em Conceição do Coité, fiz o concurso público municipal para zeladora de escola, pois foi uma oportunidade que tive de ingressar no mercado de trabalho como também ficar na área de educação, pois mesmo sendo zeladora sinto que indiretamente contribui de alguma maneira no aprendizado dos alunos.
A partir do momento que ingressei na escola, alguns professores viram em mim a possibilidade de crescimento profissional e começaram a me incentivar a cursar uma faculdade. Através dos incentivos, voltei a pensar em continuar meus estudos e me preparar para fazer parte desse grupo que, mesmo não sendo tão valorizado como merece, tem o poder nas mãos de não só construir conhecimentos, mas criar possibilidades de transformações e novos aprendizados.
Ao chegar ao curso de Letras, passei por muitas dificuldades, pois é difícil trabalhar, ser dona de casa e dar conta dos estudos. Vi também que temos muito mais a que aprender sobre a língua portuguesa, que não só aquilo que aprendemos até o ensino médio. Principalmente a desconstrução da gramática, que na fala não deve prevalecer só a norma culta, mas que o professor deve respeitar o modo de falar dos seus alunos, o aprendizado e a bagagem que trazem  da sua casa ou comunidade, procurando mostrar que existe uma gramática exigida em certos textos discursivos e com o tempo eles aprenderão.  Também pude ver que a gramática não se sustenta em muitas afirmações por ser uma língua viva sempre está em constantes transformações.
  Sendo assim, o nosso trabalho como educadora é contribuir com a construção do conhecimento pelos alunos, criando possibilidades para produção de novos aprendizados. De acordo com Paulo Freire:
“Toda prática educativa demanda a existência de sujeitos, um que, ensinando, aprende, outro que aprendendo, ensina daí o seu cunho gnosiológico (validade do conhecimento em função do sujeito); a existência de objetos, conteúdos a serem ensinados e aprendidos; envolve o uso de métodos, de técnicas, de materiais; implica, em função de seu caráter diretivo, objetivo, sonhos, utopias, ideais” (FREIRE, 1996, p.54).

No início do estágio, pudemos observar as dificuldades existentes no aprendizado que se arrasta por anos. Os alunos estão habituados a um determinado método de ensino dos seus professores e quando chega o estagiário, eles não aceitam de primeira algumas mudanças. O material didático em algumas escolas públicas, muitas vezes, é escasso; nem todos os dias são possíveis aplicar atividades que exijam um pouco mais de pesquisa, pois não podemos contar com equipamentos eletrônicos e, às vezes, falta até o livro didático. Mas o estágio tem também seu momento de prazer em ver que estou construindo conhecimentos com os alunos em sala de aula.
 


Referência:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

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